Brechós crescem no país e vendem de roupa infantil a bolsa de R$ 1,5 mil

Por Mercado E-Commerce | 12 de agosto de 2014

O mercado de brechós e de venda de produtos usados cresce no Brasil e comerciantes e especialistas atribuem a alta a um consumidor mais consciente, com menor preconceito em relação a itens de segunda mão. Há negócios que vão desde brechós com artigos de grife, como bolsa da Louis Vuitton a cerca de R$ 1,5 mil, a site para venda de produtos para bebês e crianças.

Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que as micro e pequenas empresas que comercializam artigos usados cresceram 210% em cinco anos. O número passou de 3.691 para 11.469 entre 2007 e 2012 (os dados de 2013 ainda não estão disponíveis).

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Estilista Valéria Migliacci montou brechó para venda de artigos de grifes (Foto: Divulgação)

“Acredito que o crescimento do mercado de usados no país seja em função da questão da sustentabilidade, do pós-consumo, do descarte. Tanto de roupas quanto de objetos. Essa consciência ambiental das pessoas também favorece o aumento desse mercado”, avalia Wilsa Sette, coordenadora nacional de projetos do varejo da moda do Sebrae.

Um dos empresários que apostou no segmento foi Alexandre Fisher, de 35 anos. “Lá fora isso já está muito consolidado, existe essa consciência que a revenda de itens é saudável, com produtos bons. O brasileiro está perdendo o preconceito do usado, do brechó, do empoeirado e isso está evoluindo”, sugere.

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Alexandre Fisher criou plataforma de venda de artigos usados (Foto: Anna Fischer/Divulgação)

Ele criou o “Ficou Pequeno”, site com itens infantis que tem roupas que não servem mais e até produtos que nunca foram usados. “Uma criança cresce em média 30 centímetros no primeiro ano, perde muita coisa. E as mães compram o enxoval, gostam de tudo, compram peças que não dão tempo de a criança usar”, conta ele, que teve a ideia do negócio após observar o crescimento das sobrinhas.

Na plataforma, mães e pais podem criar a própria lojinha para oferecer o que não querem mais, pelo preço que desejarem. O site sugere vender pela metade do valor original, mas há itens até 80% mais baratos. O lucro da empresa vem de uma porcentagem sobre as vendas.

Há quase um ano e meio no ar, a iniciativa tem mais de 1.000 lojinhas ativas, com mais de 13 mil produtos disponíveis. Ao todo, 9 mil já foram vendidos e entregues em todos os estados do país, diz Fisher. “Há de tudo: móvel, berço, cômoda, poltrona para amamentação, brinquedos, livros, DVD, sapatinho, acessórios, bomba de leite, bico de chupeta, esterilizador, babá eletrônica”, afirma.

Artigos de grife

A estilista e consultora de moda Valéria Migliacci, de 47 anos, revende desde 2011 artigos de grife usados em seu brechó na capital paulista, o Madame La Marquise. Ela também vê o sucesso do negócio como resultado da maior abertura do consumidor brasileiro aos produtos usados. “Hoje as pessoas têm facilidade de viajar, e no exterior é muito disseminado esse mercado (…). As pessoas estão olhando diferente, ficaram menos preconceituosas”, avalia.

A ideia dela é oferecer produtos praticamente únicos. “80% dos clientes são pessoas que gostam da exclusividade. É quase um guarda-roupa customizado, que sai do comum”, explica. Há ainda o público que tem interesse em ter uma peça de grife mas não consegue pagar o preço de uma nova.

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Mães podem vender roupas que não servem mais nos filhos (Foto: Anna Fischer/Divulgação)

De acordo com Migliacci, um modelo mais tradicional de bolsa em bom estado da Louis Vuitton, por exemplo, pode custar de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, sendo que uma nova no Brasil custa de R$ 4 mil a R$ 7 mil, avalia.

Ela explica, contudo, que as peças da loja não costumam ser tão caras. A média de preço de blusas e calças, por exemplo, é de R$ 80 a R$ 150. E dos vestidos, de R$ 80 a R$ 350. Há peças de marcas como Huis Dlos, André Lima, Prada, Guti e Maria Bonita, entre outras.

A empreendedora escolheu trabalhar com grifes por serem itens mais sofisticados, que dão uma cara de boutique à loja e acabam movimentando valores maiores, considerando o atestado que a marca dá aos produtos. “Eu sou estilista, a gente gosta de moda”, relata.

Segundo ela, as peças são fornecidas pelos proprietários por consignação e ela ganha uma comissão sobre cada venda. O volume de peças disponíveis na boutique gira em torno de 1.000, afirma.

Espaços para empreendedores

De acordo com o Sebrae, a maioria das empresas do ramo ainda está no estado de São Paulo, com 4.141 negócios ligados à venda de usados ao final de 2012.

Diante dos dados, o Sebrae resolveu organizar entre maio e setembro deste no fóruns com empreendedores do setor nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte (ambos já aconteceram), Rio de Janeiro (no dia 28 de agosto) e Brasília (no dia 18 de setembro). “São para estimular o debate entre os empresários e especialistas para subsidiar ações do Sebrae para o nicho do mercado que está crescendo”, explicou a coordenadora do Sebrae Wilsa Sette.

 

Fonte: Pequenas Empresas Grande Negócios

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