Jovens movimentam até R$ 10 milhões com inovação no comércio eletrônico de moda

Por Mercado E-Commerce | 18 de agosto de 2014

Alguns setores do varejo parecem ser fechados demais para novos talentos, como o temido mundo da moda. Para quem vê de fora, a impressão é de que, ou você tem uma agenda de contatos invejável para se estabelecer, ou você desiste e opta por outro segmento. No entanto, alguns jovens mais persistentes vêm encontrando na internet uma maneira de perseguir o sonho de ter a própria empresa e ainda criar modelos de negócios inovadores em um mercado que movimenta cerca de R$ 136 bilhões ao ano, segundo dados do Ibope.

Formadas em administração de empresas, Mariana Penazzo, de 27 anos, e Barbara Almeida, de 28 anos, trabalharam por anos no setor financeiro, mas não estavam satisfeitas. As duas amigas, então, começaram a se reunir para pensar em como conseguiriam abrir uma empresa juntas, mas com uma única condição: que envolvesse internet. “Não existia a possibilidade de não envolver, até para escalar o negócio. Hoje em dia, qualquer coisa exige ter um site. Para você atingir o maior número de pessoas possível é só na internet”, conta Mariana ao iG. Assim, a surgiu a ideia de criarem a Dress & Go, site de aluguel de peças de roupas e acessórios femininos.

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Mariana Penazzo (esq.) e Barbara Almeida (dir.), criadoras da Dress & Go

O site foi lançado em fevereiro de 2013. As sócias investiram R$ 300 mil e captaram mais R$ 1 milhão de um fundo de investimento para o portal. Hoje, com um time de 20 pessoas e peças de grandes marcas como Missoni, Andre Lima e Reinaldo Lourenço, elas já esperam movimentar R$ 10 milhões em 2015.

O início, porém, não foi fácil. “Essa parte burocrática de abrir empresa demanda bastante energia e dedicação, mas o que toma mais tempo é a parte de estruturar o modelo de negócio e fazer análises de mercado”, fala Bárbara. Entre ter a ideia e o primeiro dia de funcionamento da Dress & Go, foram nove meses. Nesse meio tempo, as sócias abriram um showroom no Itaim Bibi, bairro da capital paulista, no qual as clientes podem também alugar as peças.

“Normalmente, o primeiro aluguel as clientes fazem pelo showroom e os outros são feitos direto online, porque elas ganham confiança. É a principal diferença do nosso negócio”, observa Mariana, que estuda abrir mais showrooms em outros Estados do País para fidelizar mais clientes. “No Brasil, essa cultura de economia consciente e compra pela internet está crescendo muito, mas as pessoas ainda tem essa resistência de querer provar”, completa.

Quem também encontrou uma maneira de driblar esse empecilho foi Rafael Guandalini, sócio-fundador da Roupas S.A., plataforma digital que possibilita aos comerciantes venderem as suas peças de moda sem precisar investir em um site próprio. Criado em dezembro de 2013, o site disponibiliza ao cliente uma ferramenta chamada de “espelho virtual”, com a qual a pessoa consegue visualizar como ela ficaria vestindo a peça que pretende comprar.

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Rafael Guandalini, sócio-fundador da Roupas S.A.

“Eu vejo que, do mesmo jeito que hoje uma pessoa passa horas no shopping comprando roupa, no futuro elas farão isso no e-commerce”, prevê o empreendedor, de 29 anos, que sempre foi fascinado por internet e comércio eletrônico.

A ideia de criar o marketplace surgiu quando sua cunhada pediu ajuda para aumentar as vendas do e-commerce de sua marca. Segundo Rafael, assim como ela, muitas outras pessoas que gostam de criar e produzir moda acabam não se dando bem no comércio online por não fazerem um bom planejamento estratégico do negócio. “Às vezes, as pessoas se empolgam muito com os números do e-commerce de moda, que não param de crescer, mas esquecem de várias coisinhas do dia a dia da operação que vão custar para elas. No final do mês, a conta não vai fechar”, observa.

Com apenas oito meses de funcionamento e expectativa de venda de R$ 1 milhão até o final do primeiro ano, o Roupas S.A. já conta com 9.550 produtos de 910 vendedores e mais de 45 mil clientes cadastrados.

Internet também é saída para os novos estilistas

Além de plataforma para modelos inovadores de negócios, o comércio eletrônico também serve como acelerador para jovens que querem seguir carreira como estilistas. Sem condições financeiras para abrirem a própria loja física, os novos profissionais buscam ajuda na internet para realizarem o sonho de ter a marca própria.

Pensando nisso, Bruno Amaro, de 32 anos, criou o site The Stylist. Baseado no conceito de financiamento coletivo, a empresa disponibiliza para os internautas peças de novos estilistas que ainda não foram produzidas. Se o internauta se interessar pela peça, ele faz a compra na pré-venda e recebe o produto assim que atingir o número mínimo de interessados e a roupa for produzida.

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Bruno Amaro, criador do site The Stylist

“A ideia da pré-venda é você apoiar novos talentos da moda, comprar peças vanguardistas, exclusivas e com um preço bacana. Nós acreditamos que a peça não é só um produto, ela tem uma pessoa que pensou por trás, então também contamos a história do estilista, a história da peça e qual foi a inspiração”, diz Bruno.

Hoje, o The Stylist comercializa peças de sete novos talentos da moda e conta com curadoria de estilistas como Reinaldo Lourenço. Lançado em abril deste ano, a expectativa é que o site comercialize R$ 1 milhão até o mesmo mês de 2015.

Outros casos de sucesso

Samantha Fasolari, de 31 anos, também pegou carona na tendência. Com peças exclusivamente nacionais, o Noiva nas Nuvens tem apostado no tradicional mercado de noivas, vendendo vestidos novos por um preço 30% mais baixo que de um primeiro aluguel.

Outro exemplo de quem se aventurou no e-commerce de maneira inovadora é Patrícia Sardenberg, ex-vendedora da Daslu que, fazendo bazares com as amigas, teve a ideia de criar o Etiqueta Única. O site, que cresce 10% ao mês e comercializa peças de luxo seminovas, já movimentou R$ 1 milhão em vendas no primeiro ano de funcionamento. A expectativa da empreendedora é de chegar à marca de R$ 1,5 milhão até o final deste ano.

 

Fonte: IG

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